A realidade e as palavras

"Quando te questionarem acerca dAquilo, nada deves negar ou afirmar, pois o que quer que seja negado ou afirmado não é verdadeiro. Como poderá alguém perceber o que Aquilo possa ser enquanto por si mesmo não tiver visto e compreendido? E que palavras poderão então emanar de uma região onde a carruagem da palavra não encontra uma trilha por onde seguir? Portanto, aos seus questionamentos oferece apenas o silêncio. Silêncio... e um dedo apontando o caminho." -Siddhartha Gautama, o Buda






sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Tempo


"Podemos sempre lidar com o Agora, mas nunca com o futuro... Nem precisamos de o fazer. A resposta, a força, a ação ou o recurso estarão presentes quando você precisar, não antes nem depois."  -Eckhart Tolle



Despendemos energia procurando reparar o passado. Despendemos energia procurando prevenir o futuro. Como podemos ter energia para corresponder adequadamente ao desafio presente?... O passado que procuramos consertar, jamais se teria tornado um problema se estivéssemos devidamente atentos quando ele era presente. Procurar agora ressuscitá-lo e corrigi-lo é inútil e um desperdício. O que temos de fazer é morrer para o passado morto.Toda a energia que gastamos a procurar reparar o passado ou a prevenir o futuro, constitui uma distração e um roubo ao momento presente.

Quando dedicamos plena atenção à nossa circunstância actual, estamos a dar a este momento tudo o que ele requer para que a resposta seja adequada. Cada momento é completo e eterno. Contem em si tudo o necessário para ser correspondido. Não temos que nos socorrer de fórmulas da experiência passada.  Apenas requer atenção e presença. Do mesmo modo não faz sentido utilizar este momento para garantir respostas adequadas ao futuro. Na verdade nunca roubamos ao presente para dar ao futuro. A única coisa que fazemos é roubar ao presente algo que apenas ao presente poderia pertencer. Mesmo que vivamos 100 anos, jamais conseguiremos viver um segundo que seja no futuro. Não podemos aprender primeiro e viver depois. Esta vida é tudo o que temos. Enquanto buscamos certezas e garantias, a vida se esvai. A vida não permite ensaios. O aprender e o viver acontecem simultaneamente, neste momento preciso em que te permites fluir com a própria vida!

A morte constitui a verdadeira medida de todas as coisas. É ela que te situa na perspetiva correta. Quando sabes que cada momento se gera a partir de si próprio. Cada momento tem a sua própria eternidade.  Nada nele foi determinado por outro momento qualquer. Nada dele será transportado para qualquer outro momento. Viver sem ontem nem amanhã!... Não é um esforço de imaginação que tens de fazer. É uma realidade inexorável. Mesmo que não a reconheças como tal. Cada momento é sempre o último e o primeiro. O Génesis e o Apocalipse estão sempre a acontecer. Perante a morte nada há a perder ou a ganhar. Perante a morte já nada estás a adiar. Nenhuma esperança alimentas. Nenhum temor te pode ameaçar. É só perante a morte que a entrega à vida é generosa e total.

A culpa desvanece-se quando morres para todo o passado. O medo desaparece quando desistes de controlar o futuro. Resta então a paz!...A paz e o jubilo que sempre permeiam o alinhamento perfeito com a atemporalidade deste momento eternamente presente!

Esta é a mensagem central que se encontra no coração de todas as grandes tradições espirituais e religiosas. Não nos deixemos impressionar e hipnotizar com frases românticas e discursos grandiosos e eloquentes. Tudo aponta a algo muito simples e nada misterioso: a realidade viva, presente e ordinária deste momento. Que não requer quaisquer palavras para se sentir e experimentar. Quaisquer palavras a podem expressar, porque nenhuma palavra a expressa. Todas as palavras estão igualmente próximas, porque todas as palavras estão igualmente distantes. Nenhuma palavra sequer a chega a tocar. Perante esta realidade todas as palavras são inúteis. Todas as palavras desaparecem. Apenas respirar! Apenas olhar e sentir! Apenas escutar!...

2 comentários:

  1. É isto mesmo, e é tão simples. A Verdade é simples! Abraço.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Muito simples, sim! A nossa mente é que precisa de complicar,... ela vive disso!
      Abraço Margarida! Um prazer receber a sua visita! :)

      Eliminar