A realidade e as palavras

"Quando te questionarem acerca dAquilo, nada deves negar ou afirmar, pois o que quer que seja negado ou afirmado não é verdadeiro. Como poderá alguém perceber o que Aquilo possa ser enquanto por si mesmo não tiver visto e compreendido? E que palavras poderão então emanar de uma região onde a carruagem da palavra não encontra uma trilha por onde seguir? Portanto, aos seus questionamentos oferece apenas o silêncio. Silêncio... e um dedo apontando o caminho." -Siddhartha Gautama, o Buda






quinta-feira, 10 de maio de 2012

Corpo, espírito e identidade


"Oh my friend, all that you see of me is just a shell, and the rest belongs to love!"
                                                                                                                                      Rumi



Coloca o teu centro de gravitação num ponto exterior ao teu corpo. Cessa a identificação com o corpo. O teu corpo é tanto o teu corpo como outro corpo qualquer. À semelhança de marionetes movidas por cordões num teatro de fantoches. Tu apenas podes movimentar um boneco, mas não te identificas com esse boneco mais do que te identificas com outro boneco qualquer interveniente na ação. Os outros bonecos têm acima de si igualmente uma mão que os move. Os espectadores veem os bonecos e a ação que eles desenvolvem no palco. Mas os verdadeiros responsáveis que comandam os bonecos, encontram-se ocultos ao olhar dos espectadores. Portanto tu não és o corpo. O corpo é apenas um elemento participante da ação. Interage com os outros elementos que se encontram presentes (outros corpos e objetos) numa relação global que constitui a totalidade do aqui e agora. Tu não te podes identificar com nenhum dos elementos particulares participantes do todo. Essa totalidade és tu. E é só graças ao facto de tu seres a totalidade, que a totalidade pode ser.
Sempre que te identificas com o corpo estás a limitar-te de forma ilusória. Aquilo que és é demasiado grande para ser reduzido à tua pequenez. Não é a mente discursiva ou o intelecto que se apercebe disto. Mas isto está presente ao espírito. O espírito é consciência tranquila. Tal como um lago de águas claras e imóveis onde se refletem as estrelas.
Quando os outros olham para mim, isto é, para o meu corpo, não me veem. Porque eu não sou o corpo que eles veem. Sou aquilo que está oculto por detrás do corpo e que os vê a eles. Os outros pretendem que me veem, mas estão errados. Equivocam-se sempre na direção em que olham. Fixam o seu olhar neste rosto que é precisamente o que para mim não existe, nunca existiu e não pode ser o que eu sou. Quem me vê não é aquele que está à minha frente e cuja presença me é indicada por esse rosto que eu vejo. Quem me vê não é quem está de frente para mim. É antes aquele que se coloca ao meu lado e olha na direção em que eu olho. São os outros que veem os meus olhos. Mas eu não sou os olhos que os outros veem. Sou o espírito por detrás dos olhos que os observa a eles.

sábado, 5 de maio de 2012

Inefável



Como poderão as palavras expressar ou transmitir um estado
que se torna presente quando todas as palavras
e todo o verbalizar se ausentaram?

Falar sobre Isto! Discorrer sobre Isto!
Sempre o mesmo dilema, a mesma frustração!
Sempre a sensação de que algo absolutamente essencial
foi deixado de fora!

 Falar e escrever!
Apenas para constatar que a verdade
Jamais se deixa capturar.

Tudo o que desta atividade pode resultar,
será sempre um pálido reflexo daquilo que lhe deu origem.

Compreender isto, aceitar isto!
Não significa limitação ou impotência.
 Significa a infinita independência!
 A infinita liberdade!